Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest)
Novembro 14, 2007 de LELLA
Seja você mesmo sem medo de ser feliz!
Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest). EUA. 1975. Direção: Milos Forman. Roteiro: Bo Goldman. Elenco: Jack Nicholson, Louise Fletcher, Will Sampson, Brad Dourif, Danny DeVito, Christopher Lloyd, Vicent Schiavelli.
Sinopse: Randle McMurphy (Jack Nicholson) é condenado a alguns meses de prisão por transar com uma jovem de 15 anos. Para não cumprir a pena numa penitenciária se faz de louco e assim cumprí-la num hospício. Acreditando que estaria numa melhor. Só não contava com a enfermeira chefe, um osso duro de roer.
Uau! Um filmaço! Revê-lo após tantos anos, deixou-me a sensação e o prazer de uma primeira vez. Podendo afirmar até que o prazer foi maior.
Começo pelo título nacional… Primoroso! Por vezes nos sentimos mesmo fora do ninho… Mas as regras sociais já estabelecidas nos levam segui-las sem questionar. Numa de “Siga as regras para ser feliz”.
O filme pode ser visto por vários ângulos. Não apenas das psicopatias. Como o próprio Diretor ao ler o livro, comentou: “Este é um filme tcheco. É um filme sobre uma sociedade na qual vivi durante 20 anos da minha vida. É sobre tudo o que conheço. E sei como estas pessoas se sentem.“
O personagem de Jack Nicholson, o Murphy, optou por: “Seja você mesmo sem medo de ser feliz.” Ok! Ele tinha seu lado marginal também. Mas… seu lado moleque subverte até alguém reacionário, pelo seu carisma.
Se bem que, encontrou alguém que faz de tudo para podar as asas desse passarinho… A enfermeira Ratched (Louise Flectcher). Que sem sair do tom… Ela orquestra a todos… E ai daqueles que não segue as suas regras. Pune não como um aprendizado a esse infrator. Mas mais como um aviso aos demais. Impondo medo.
Alguém extremamente metódica, conservadora, ao se confrontar com alguém como Murphy… Dá para imaginar que será um duelo de titãs. Os dois não nos decepcionam.
Entre alguns dos pacientes… até mesmo no prazer em ver atores que ainda continuam atuando em seu início de carreira… Destaco dois personagens que fizeram com que Murphy sentisse mesmo mais carinho e respeito…
O jovem Billy (Brad Dourif) que parece meio que adota Murphy como um pai… mas que ainda vive totalmente dominado por essa enfermeira. Esta, por sua vez, abusa do seu ponto fraco - uma mãe castradora.
E o Chefe Brondem (Will Sampson). O Big Chefe. Houve uma empatia entre os dois. Talvez, Murphy viu ali um pai… Para alguém como Murphy, aquele grande homem seria o amigo, o companheiro ideal para continuar curtindo a vida adoidado… Para viajarem juntos pela a vida a fora…
O índio preferiu ficar em silêncio, até por questões culturais, meio que para ficar invisível… Daquele tamanho, seria difícil passar despercebido. Daí, fez essa opção. (Numa cena cortada, os enfermeiros fazem de tudo para provocá-lo.) Ele sentia quebrantado. Culpas, expiações? Talvez.
O Murphy foi lhe trazendo “injeções de ânimo”. Algo que nenhuma das terapias dali conseguira. E com isso ele foi adquirindo vida.
E rompeu de vez com todos grilhões dali ao ver o que fizeram com o Amigo. Foi apoteótico. A liberdade foi arrancada à força.
Um filme que nos faz rir e emocionar! Com um personagem apaixonante! Melhor definido nas palavras do Roteirista: “Desde que nascemos gostamos de fazer parte do sistema. E isso é o que desejamos, exceto inventar nós mesmos. E McMurphy, em sua criminalidade e loucura e em sua obsessão, entende isso melhor do que ninguém.“
Filmaço! Recomendo!
By: Valéria Miguez.





