Ensinando a Viver (Martian Child)
Março 1, 2008 de LELLA
Ensinando a Viver (Martian Child). EUA. 2007. Direção: Menno Meyjes. Com: John Cusack, Bobby Coleman, Amanda Peet , Joan Cusack , Oliver Platt , Sophie Okonedo, David Kaye. Gênero: Comédia dramática. Duração: 106 minutos.
Parece que certos adultos esquecem que já foram crianças um dia. Pelas atitudes que tomam. Ou pior, pelo que acabam fazendo. E aqui, nesse filme, uma dessas coisas estaria em impor um prazo… Prazo? Não. Não para uma dupla que se dispuseram a… a ver se seriam pai e filho!
A vontade em adotar uma criança partiu de um casal. Mas eis que a companheira se foi. Faleceu. Tudo parecia esquecido, ou sepultado. Por delicadeza… ou seria o destino… bem, quando David (John Cusack) em vez de morrer com aquele assunto por telefone, vai pessoalmente se explicar com a Diretora do Orfanato (Sophie Okonedo)… E por curiosidade, pergunta porque ele fora lembrado, ainda mais sendo um viúvo. Deveria ter casais na lista de espera…
Abrindo um parêntese. Em “Juno” temos àqueles que querem adotar uma criança, mas ainda quando bebê. Nesse, a adoção já atinge a crianças mais crescidas. Que já tem consciência do que fazem ali… Sentem mais a rejeição, o medo, a perda de um carinho, de um lar… É um quadro triste, e também cruel com esses inocentes.
Voltando ao filme… David fora lembrado por ser um escritor de ficção científica. Pois o pequeno Dennis (Bobby Coleman) diz ter vindo de Marte. Daí o título original do filme. Embora uma luzinha se acende em David… Ele, recusa. Diz que não está preparado. Acontece que mais alguém quer isso… Gente! Momento lindo esse! Uma amiguinha de orfanato que faz essa ponte entre David e Dennis. Talvez numa de: “Ele tem menos chances que eu em ser adotado.” E consegue que David olhe para o pequeno marciano.
Ao conversar com a irmã (Joan Cusack), mais do que fazê-la acreditar que ele mesmo estando sem uma mulher do lado, ele e o menino serão uma família. Ao lembrar a ela a criança que ele fora, que não se adequava ao grupo… um solitário… ao reacender a sua infância… ele se sente, se vê como um pai para o Dennis.
Mas… por considerarem Dennis uma criança problemática… David em vez de aliados, tem dos Conselheiros uma ducha fria… Eles não facilitam em nada. Mas David, os convencem ao dizer: “E uma das coisas que eu aprendi sobre fantasia, na minha vida, é que pode ser uma técnica de sobrevivência. Funciona como um mecanismo de fuga, uma maneira de lidar com os problemas que são maiores que você… maiores do que você é capaz de lidar.“
Além dessa vigília… desse tempo limite… de seu agente lhe dizendo que o prazo para entregar um novo livro está se esgotando… tem o de chegar ao Dennis. Estabelecer um contato. Em fazê-lo entender que eles agora serão pai e filho. E que não é nada fácil. Dai, numa cena onde ele recusa a mãozinha de Dennis, a voz do nosso coração pode até não acreditar, mas que a voz da razão, entende o porque.
Enfim, temos nesse filme um homem e um menino num diálogo onde todos os sentidos entram… numa troca onde tudo é válido… quer seja assistindo uma partida de baseball, onde diz que mesmo errando mitas vezes, ainda assim terá chances de mostrar o seu valor, que não se deve é desistir; quer seja usando a linguagem da dança… e mesmo com todas as imposições… eles seguem sem pressa.
Ah! Anjelica Huston faz uma participação para lá de especial. Embora curtinha, marcou presença!
A trilha sonora veio somar na história desses dois.Como nessa, de Cat Stevens, “Don’t Be Shy”: “Levante a cabeça e deixa que teus sentimentos saiam…“.
Gostei! Nota: 8,5.
By: Valéria Miguez.





