O Carteiro e o Poeta (Il Postino / The Postman)
Março 15, 2008 de LELLA
O Carteiro e o Poeta (Il Postino / The Postman). 1996. Itália. Direção: Michael Radford. Elenco: Philippe Noiret, Massimo Troisi, Maria Grazia Cucinota. Gênero: Romance, Drama, Comédia. Duração: 108 minutos. Classificação: Livre.
“Quando se explica a poesia, ela fica banal.” (Neruda)
Há pouco tempo revi esse filme; e devo confessar que a emoção foi maior. Talvez, porque dessa vez eu o sorvi lentamente como um bom vinho…
Um pouco da história… Mário Ruppolo vive à beira-mar com o pai; este um pescador como a maioria dos homens da localidade. Acontece que Mário não quer ser mais um deles; tem até alergia. Para fugir um pouco da pregação do pai, divide seu tempo entre longos passeios, e quando pode, vai ao cinema.
Quando ver uma vaga nos Correios, vê a chance de unir seu gosto pelos passeios com sua bicicleta, a um trabalho longe das pescarias. Aliado a isso, o prazer em ter um contato maior com Pablo Neruda, que se encontra em exílio político.
Aos poucos, as barreiras entre esses dois homens vão se quebrando. Surgindo uma amizade. Mário, em sua simplicidade, ganha o carinho de Neruda. Que o ajuda a vencer a timidez para se aproximar de sua amada Beatrice.
Com o término do exílio, Neruda vai embora. Mário, por sua vez já está casado. Mas não é mais o homem de outrora. Quer agora falar e muito. Então se engaja na política de oposição.
Destaco aqui, uma passagem onde a sogra fica a repetir “o pássaro comeu e foi embora“. Que Neruda aproveitou-se do genro enquanto lhe foi útil. Então, Mário lhe diz que se alguém fora útil ao outro, esse alguém fora Neruda com ele. Ele sim aproveitara aquela convivência. Aprendera muito de si mesmo com o poeta.
Claro que para ambos, carteiro e poeta, não houve uma materialidade nessa convivência, mas sim uma troca saudável, prazeirosa e que preencheu a vida deles naquele período.
Por iniciativa de um, como também da boa receptividade do outro, houve carinho, respeito e apreço naquela amizade. Mesmo num curto período, fora marcante. E ele não foi apenas um cumpridor do seu dever - o de entregar carta.
Enfim, temos aqui uma linda história de amizade!
Nota: 10.
Por: Valéria Miguez.



