Sem Destino (Easy Rider)
Abril 4, 2008 de LELLA
A liberdade ainda incomoda àqueles que não a conseguem.
De vez em quando bate uma sessão nostalgia. Numa de rever filmes que de certa forma fizeram a diferença. Então, após rever “Um Estranho no Ninho“, e talvez motivada pela performance de Jack Nicholson, pulo para esse: “Sem Destino”.
Após revenderem cocaína para um milionário… A dupla, Wiatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper), compram duas Harley Davidson e caem na estrada ao som de “Born To Be Wild“. Mas antes, Wiatt joga fora seu relógio de pulso. Simbolizando que o que queriam mesmo é aproveitar o percurso, saindo de Los Angeles com destino a News Orleans. E o que a maioria deveria fazer: viver o presente. (Os nomes dos personagens vieram de dois fora-da-lei do velho-oeste americano: Wiatt Earp e Billy The Kid.)
Creio que a cena inicial não apenas toca fundo em quem gosta de andar de motos. Esses, pelo prazer de sentir o vento no corpo. Ou como falou um amigo: em fazer parte da paisagem. Seja sob um sol escaldante, ou uma chuva cortante, em cima da moto vivencia-se tudo isso. Como também esse momento do filme toca a todos que amam por o pé na estrada. Ou que sonham com isso.
Mas nem tudo são flores para esses dois. No meio do caminho tinha mais que uma pedra. Se atualmente ainda há muito preconceitos com os motoqueiros (Até entre eles também, porque alguns impõem a diferenciação entre motociclistas e motoqueiros.) que dirá naquela época. Revoltantes, o que fazem com eles e um outro personagem.
Um terceiro personagem pontuou no filme. O então jovem Jack Nicholson. Seu personagem, George Hanson, encontra-se com a dupla na prisão. Ele é advogado. Um jovem rico e mimado. Que transgride as regras da sociedade local pela bebida. Mas por ser filho de quem é, a prisão é quase um albergue para curar a bebedeira. Um local onde passar a noite longe das vistas do pai.
Como também, é um jovem que nunca ousou cruzar a fronteira, apesar de sonhar com isso. Daí resolve cruzá-la com a dupla. Pois ficaram amigos na manhã seguinte. Sendo advogado consegue a soltura dos novos amigos.
Longe de casa, acaba sentido também o peso do preconceito. Por também ter se tornado um forasteiro. Não como antes quando a sua rebeldia era acobertada por conta do peso do sobrenome.
Mesmo assim, ele era um jovem consciente. Como demonstra nessa fala:
“Eles não têm medo de vocês, mas do que vocês representam. Para eles vocês representam a liberdade. Mas falar dela e vivê-la são duas coisas diferentes. É difícil ser livre quando se é comprado e vendido no mercado. Mas nunca diga a alguém que ele não é livre porque ele vai tratar de matar e aleijar para provar que é. Eles falam sem parar de liberdade individual, mas quando vêem um indivíduo livre ficam com medo.“
Quase 40 anos depois, ainda presenciamos esse temor.
A trilha sonora é muito show!!
E confessando que exclamei um sonoro pu-ta-que-o-pa-riu nas cenas finais…
Filmaço! Vale a pena rever! Nota: 10.
Por: Valéria Miguez.
Sem Destino (Easy Rider) .EUA. 1969. Direção: Dennis Hopper. Roteiro: Dennis Hopper e Peter Fonta. Com: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson. Gênero: Aventura, Drama. Duração: 95 minutos.



