Traídos pelo Destino (Reservation Road)
Abril 18, 2008 de LELLA
Traídos pelo Destino (Reservation Road). 2007. EUA. Direção: Terry George. Elenco: Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly, Mark Ruffalo, Mira Sorvino. Gênero: Drama. Duração: 102 minutos.
Quebrando ciclos… e, por perdas que não voltarão mais…
Por vezes, precisa acontecer algo para a quebra de um ciclo. Agora, nem sempre o fato vem como um tapinha na testa. Às vezes, vem mesmo com uma trombada violenta. E aí? É é hora de recolher os cacos. Vê o que sobrou. Para seguir em frente, como uma espiral.
Nesse filme, destaco primeiro, Pai e Filho. Mas um pai que parece que sufocou o filho que foi, o qual não recebeu o carinho do pai. Como não soube trabalhar esse sentimento, ao se tornar pai, fica perdido. Sem saber como o ser. E acaba fazendo besteira.
Essa relação conflitante, esse ciclo que mesmo sem se dar conta que continua… me fez lembrar, imaginem de qual filme? O dos Simpsons. Quando, por uns instantes, o Homer se dá conta de como vinha agindo com o seu filho. Mas nesse, o personagem de Mark Ruffalo “acordou” para então quebrar esse ciclo, de um modo desagradável… Enfim, aprendeu…
Um outro lance do filme, foi com o personagem de Joaquin Phoenix. Pausa… Para quem acompanha minhas análises cinéfilas, já deve ter percebido que meu foco foge dos detalhes técnicos. E até esqueço de nomes de alguns Diretores, mesmo tendo gostado muito de algum de seus filmes. O lance é para contar que uma cena com Joaquin Phoenix e uns jovens, me fez lembrar de um outro filme que ele participou. Eis que ao verificar após o filme, vejo que é também desse Diretor, Terry George: “Hotel Rwanda“.
Voltando ao filme… Ainda desnorteado com a tragédia, ele até tenta levar a vida adiante, mas… A conversa entre os jovens, seus alunos, o tira da apatia, mas o levando para uma reação de cobrança… A cena é rápida, mas as falas chamam a nossa atenção para algo mais abrangente: da banalização da violência. Diria mais, dos muros invisíveis resguardando a maioria dos norte-americanos da realidade do mundo. Como o filme é baseado num livro, não sei se nele há um tempo maior nessa hora. Até por também tocar no Quarto poder. Mas como falei, tudo é muito rápido. Trechinho:
“O meu povo, como o resto do mundo… sabem o que é dor, sofrimento, violência e perda. …eles convivem com dor e morte, todo dia. Vocês não. Vocês se tornaram tranqüilos. A questão é economia. …a maioria dos americanos estão isolados da morte.“
Bem, ele então vai fundo em buscar o responsável. Até ai, louvável! Mas o sentimento de posse ainda é gritante. Escurecendo a sua visão. E como foi o “Acorda!” dele? Vendo o filme, saberão.
Por último, a personagem da Jennifer Connelly. Mas essa soube trabalhar bem com culpas e perdas. Para uma mãe, passar o que ela passou… E que soube como acordar desse pesadelo. Também merece destaque. Quando digo trabalhar os sentimentos, é porque eles fazem parte de nós. Precisando que tomemos consciência dele. E sem culpar a ninguém por mantê-los.
Enfim, um bom filme; que eu até voltaria a assistir.
Por: Valéria Miguez.





