“Então quando você sentir que acabou a esperança, Olhe dentro de você e seja forte. E você finalmente verá a verdade, Que há um herói em você.“
Somente o passado era previsível aos olhos dessa mãe. Nele, a crueldade de uma guerra religiosa e étnica, já lhe tirara quase toda a sua família. Ficara apenas ela e um único filho. Restara-lhe agora um dilema: mantê-lo junto a si, mas sem saber até quando, ou perdê-lo para o mundo, mas dando a ele a chance de ser alguém na vida. O momento dessa tomada de decisão se aproximava. A Operação Moisés era a oportunidade de dar um futuro digno ao seu filho, ainda um menino. Não seria fácil, pois precisaria de ajuda.
Um resumo do que foi a Operação Moisés. Um fato histórico acontecido em 1984. Onde uma equipe do Mossad resgata judeus etíopes de um acampamento de refugiados no Sudão. Levando-os para Tel Aviv, Israel.
Agora, voltando a batalha invisível que então levaria seu filho para longe de si. Ele teria que se passar por judeu. Como convencê-lo a ir sem ela. E quem a ajudaria.
A essa mãe tão castigada pela vida, uma outra mãe que há poucas horas perdera seu filho, numa linguagem muda, dá a ela a certeza de que dali para frente seria com ela. Assim, o menino ganha um novo nome: Schlomo. E ele, de coração partido segue em frente para cumprir um pedido/ordem de sua mãe: “Vá, viva e se transforme“.
Uma pausa para voltar a falar da Operação Moisés. É que no início do filme, me peguei a pensar se atualmente outras nações também não faria o mesmo. Por ter sido um feito digno de aplausos. Mas com mais um pouco do filme, vi que nem mesmo Israel voltaria a fazê-lo. Como também ficou uma dúvida do porque fizeram. Até por terem se cercado de todo um aparato para receber esse povo. Muros, soldados… Parecia que estavam numa prisão. Com muito mais regalias, é claro. Mas ainda detidos para uma investigação mais detalhada se eram de fato judeus.
Schlomo perde ai, essa sua segunda mãe. Mas o destino ainda conspirava a seu favor. Lhe dando uma terceira e então definitiva mãe. Por sorte, ele fora adotado por uma família agnóstica, e de esquerda. Mas achando que ele de fato era judeu, o colocam para estudar o Torá.
Scholmo mesmo diante de tanta fartura em alimentos, recusa-se a comer, ficando apenas nos líquidos. Falando em líquidos, a cena do seu primeiro banho de chuveiro, arrepia. E quando ele conta o porque o traumatiza tanto, é de sentir raiva da estupidez, da selvageria dos homens num campo de batalha e com inocentes.
Voltando a essa terceira mãe, ela é incansável, tanto na educação, como em tentar cicatrizar as feridas desse coraçãozinho. Precisam ver o que ela faz para que Scholmo decida se alimentar. Entre broncas e carinhos, ela o faz seu filho, de fato e de direito. E lutando para que o respeitem como um deles. Mais que o preconceito religioso, a cor da pele será uma batalha que ambos irão enfrentar dali para frente.
Além dessas mães, uma outra mulher entrou na sua vida na fase da adolescência, e seguiu junto com ele. Ela teve que romper outras barreiras, teve que romper laços sagrados para ficar ao lado dele. Por ter quem não aceitava a relação de uma branca com um negro.
Em sua trajetória de vida, dois homens contribuíram e muito em sua formação. Diria que foram seus dois Mentores. Um, um patriarca de sua terra natal, que tal como ele, estava em exílio. Eram ambos dois sobreviventes. O outro, o avô da família que o adotou. Ambos ensinaram os verdadeiros valores, as verdadeiras bagagens que se deve levar ao longo da vida. A cena de uma sabatina final na leitura do Torá, é emocionante.
Não querendo comprar guerras, até por imposição do pai adotivo, que o queria lutando, ele vai estudar medicina em Paris. Ao se formar, acaba embarcando numa guerra que não era dele. E nela, por se vê impedindo de atender alguém, e por ambos os lados numa guerra estúpida, se descuida, e termina sendo ferido. Volta para a casa, e casa.
Acabou? Não, tem muito mais ainda. Eu apenas pincelei o que seria esse filme. Nele, a trajetória de um menino até a fase adulta. É um filme longo. Poderia ter sido mais enxuto? Sim, mas mesmo assim não cansa, e nem tira a atenção. O final do filme, arrepia! Agora, embora eu tenha gostado, revê-lo, talvez num remake mais curto.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Um Herói do Nosso Tempo (Va, Vis et Deviens). 2005. França. Direção e Roteiro: Radu Mihaileanu. Elenco: Yaël Abecassis, Roschdy Zem, Moshe Abebe, Sirak M. Sabahat, Roni Hadar. Gênero: Drama. Duração: 140 minutos.











Olá!
Parabéns pelo texto e pelo Blog!
O filme é longo sim, mas que ninguém deixe de ver.
Beijinhos,
Oi Nara!
Grata! E sorry, por só ter visto agora seu comentário.
Beijo grande,