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Onde existe morte, existe também ressurreição“. (Olivier Assayas)

Antes, quero falar de um tipo de abandono. Em relação aos familiares mais velhos. Em só visitá-los em datas ditadas pela sociedade. Por mais afazeres, compromissos… querendo, encontrará um espaço na agenda para uma visita fora das datas de praxe: aniversário, Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais… Nem sempre, há cobranças por parte deles, mas com certeza lhes agradaria serem mais visitados. Como no caso da personagem de ‘Horas de Verão‘. Vendo Hélene (Edith Scob) acenar para a família na despedida após o almoço dos seus 75º aniversário, bateu uma tristeza. Eles tinham pressa de irem embora. E isso é algo tão comum, e no mundo real. Mas o foco do filme é na partilha dos seus bens entre seus filhos.

Hélene, como a pressentir que estaria perto do fim, aproveitou essa reunião para conversar com o seu filho mais velho, Fredéric (Charles Berling). O único, dos três filhos, que ainda mora na França. Pedir a ele que cuidasse da partilha dos bens. Ela sabia que após a sua morte, a casa seria vendida. Como tudo mais de valor dentro dela. Ciente do valor de alguns bens, ela lhe deu um inventário particular. Os valores sentimentais dos objetos sendo expostos.

Era como se Hélene só esperasse por um livro onde catalogou as obras de um tio, o pintor Paul Bertier. Chegou a ir a uma das conferências, e se foi. Como disse ainda no seu aniversário, à empregada já idosa: que com ela iriam apenas as emoções, as histórias, os segredos… E é mesmo o que levamos. Sem saber, o que ficará de nós naqueles que continuam vivos. Em muitas histórias familiares, quando um idoso morre, com ele também se vai o único laço que unia os outros familiares.

museu d`orsayNão se pode mesmo interferir na vida adulta dos filhos. Pois cada um precisa construir a sua história. Hélene viveu a sua. Ela tratou apenas de resguardar uma quantia para sua serviçal. Os filhos, como herdeiros legítimos, que cuidassem do inventário oficial. Para diminuir o valor do inventário, buscaram por um Museu, o d’Orsay. Outro ponto interessante nessa história. Conhecer um pouco o trabalho nos bastidores de um museu: aquisição do acervo, restauração das obras…

Seus outros dois filhos, eram:
- Adrienne (Juliette Binoche, loira), uma Designer. Morava em Nova York. Não tinha filhos.
- Jerémie (Jerémie Renier), um empresário que estava sentando base na China. Por conta dos salários baixos pagos por lá.

Fredéric foi voto vencido em não querer vender a chácara da família. Pois seus irmãos queriam vender tudo, e rápido. Adrienne não quis o jogo de chá, em porcelana que sua mãe, em vida, disse que seria dela. Além da bandeja de prata, ficou com um bule de prata. Algo que Hélene falou que ela não gostaria por ser uma obra de arte. Por Adrienne gostar de um designe moderno. No qual ela rebateu. Gostava do funcional.

Paralelo ao inventário, Fredéric está tendo trabalho com a filha adolescente. Uma rebelde sem causa. Como também, em defender suas ideias lançadas num livro. Sobre política econômica. Talvez, por isso, não contestou seus irmãos. Dos três, era o mais apegado a chácara, os quadros, os objetos… Por ele, tudo continuaria em família. Como estava até antes da mãe falecer.

O filme é de uma simplicidade ímpar no contar, em mostrar uma história comum. Mesmo contendo objetos valiosos,  como herança, ela é igual a tantas outras. A mim, me fez lembrar de muitas cenas reais. Por ter me identificado tanto, que eu amei ‘Horas de Verão‘. Mas o filme é para um público mais seleto. Daqueles que gostam de ouvir histórias da família, em reuniões em torno de uma mesa. Uma pena! Mas até nisso o Diretor, Olivier Assayas, pensou. Está no final do filme. Desse excelente filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Horas de Verão (L’heure d’été). 2008. França. Direção e Roteiro: Olivier Assayas. Gênero: Drama. Duração: 103 minutos.

Ha Tanto Tempo Que Te AmoPhilippe Claudel estréia na direção em grande estilo. Kristin Scott Thomas é Juliette, que sai da prisão após cumprir pena por um crime terrível e se hospeda na casa da irmã criando um certo conflito na harmonia da família.

Il y a longtemps que je t’aime” – que também é a letra da canção que pontua o filme – contém um saboroso desfile de interpretações exímias (incluindo a engraçada menininha vietnamita que ajuda a amenizar a amargura da estória e parece ter nascido para brilhar na tela grande) e sequencias muito naturais e bem filmadas como as da festa no campo.

O roteiro interessante mantém a atenção de quem vê este curioso jogo de crime, culpa, castigo e julgamento. Dostoievski aqui não é citado à toa.

Carlos Henry

OS DESAFINADOS

Chovendo, inverno, não precisei ser muito criativa para ter a brilhante idéia de colocar em dia os filmes que perdi no circuitão porque corri atrás dos alternativos. Assim nada como Rodrigo Santoro embaixo das cobertas com chocolate quente!

E isso foi tudo o que realmente aproveitei deste filme, o prazer de estar com Rodrigo Santoro, Claudia Abreu e Selton Melo num domingo chuvoso e friorento num cantinho quentinho. E eu que jamais falo mal do cinema nacional poderia ter visto algo muito melhor. Não é que o filme seja ruim, mas poderia ser bem menor. Vale pelas interpretações enxutas, na medida.Segundo meu irmão a culpa é da Bossa Nova, um tipo de música híbrida de samba e jazz tinha que dar nisso e a culpa, claro não é do samba… Se temos que eleger um culpado que seja o excesso da minha expectativa na direção e roteiro do Walter Lima Jr que tentando gerar expectativa, me rendeu um desapontamento.
São 5 amigos que formam uma banda de bossa nova, em busca de uma voz feminina que surge como que por acaso. Ela aparece como flautista, logo surge cantora e musa e os rapazes vão e voltam entre os anos 60 e 2000 tantas vezes quantas são necessárias para nós não entendermos o que exatamente as idas e vindas estão tentando mostrar. Logo de início o susto é encontrar a voz de Selton Melo em Arthur Kohl, a dublagem nítida ainda que sincronizada, com certeza teve um propósito que realmente não consegui saber qual e me gerou um certo desconforto. Passei o filme inteiro tentando desvendar quais são nos anos atuais as personagens que vimos jovens nos anos 60.
Walter nos mostra algumas coisas que estamos já acostumados a ver na vida real como o amigo “boa pinta” e talentoso que ainda por cima “pega” as mulheres mais bonitas e tem sempre aquele jeitinho de ”tadinho” levemente deprimido. Tem aquele que não dá sorte com as mulheres e que embora sofra, não transforma isso em drama. Davi (Ângelo Paes Leme) passa a vida à sombra do carisma de Joaquim (Rodrigo Santoro), apesar de serem parceiros na música, só dá Joaquim e algumas vezes percebemos o olhar melancólico de um sobre a vida cheia de tudo do outro que ainda reclama…
Glória, (bem) vivida por Cláudia Abreu, a bela e independente desbravadora de Manhattan, faz um contraponto com a não menos bela e ligeiramente sem graça por opção e anulação, Luíza (Alessandra Negrini). Imagino que o filme queira mostrar as diferenças entre comportamentos femininos, pois se uma está no exterior sozinha buscando seu sonho americano, a outra patrocina material e emocionalmente a viagem do amado em busca do sonho dele. Imagino que o filme queira mostrar as semelhanças entre o que se desiste e o que não se insiste. A destemida Glória que reconhece no texto “não saber se despedir” a despeito de saber fazer pirraça, provocar, ter ousadia para tomar banho de banheira diante dos amigos do namorado e do próprio e vai aceitando aquele amor pela metade do grande amor da sua vida.
Os desafinados em certos momentos parece ser isso, a história do sonho americano que não dá certo e nunca se sabe exatamente porque… A história de quem quando está aqui pensa que deve ir para lá e quando está lá só pensa em voltar… A história de quem passa a vida inteira dividido entre o que se sonha e o que se realiza.

Quem pareceu não insistir na América é quem está profissionalmente melhor colocado. Dico (Selton Melo) se não vive uma carreira interessante no cinema está “de boa” com a TV e as amizades antigas servem para imaginar um especial que lhe renda ibope e para os antigos companheiros apenas lembranças. Dois mil reais é quanto vale a imagem de todos eles, afinal, o investimento do esperto diretor segundo ele próprio é grande! Achei interessante a sutileza de ser justamente esta personagem que representava a esquerda, que faz um filme sobre reforma agrária o qual envia clandestinamente para fora país, uma vez que o golpe militar chegou juntinho com a finalização do filme. O filme ganharia um prêmio no festival de Moscou deixando seu diretor aborrecido. Afinal, neste filme todo querem sossego e sucesso com “algum trocado pra dar garantia”. Dico, indo pra Nova Iorque, promete comprar as entradas do Carnegie Hall, onde a música composta pelos amigos será vai ser tocada após a venda dos direitos para um editor americano. Dico compra um único ingresso – o seu próprio. Ele parece sempre deslocado, sempre sobrando… É o único não músico . É o único que como sonho tem apenas ser bem sucedido usando uma câmera. Ele não é visto com namorada e insiste em ficar de vela para os beijos alheios. Ele acompanha o grupo e filma muita coisa que permanece como material inédito, o que já nos mostra que nossos desafinados não conseguirão o almejado sucesso retumbante.

Os desfinados é não é um filem sobre bossa nova (?) Seria um filme sobre não eram apenas os ricos que faziam bossa nova, ou nem todos se tornaram famosos com a bossa nova ou ainda a ditadura não respetiou sequer a bossa nova?

Este filme tem vários elementos interessantes porem parece faltar liga entre eles. Algumas coisas como por exemplo cantar “Copacabana Princesinha do Mar” no Central Park parece artificial embora não seja inverossímel… Mostrar o ambiente que cada um dos membros da banda deixou para sublinhar que não chegariam onde sonharam. E quando pensamos que estamos diante de um filme sobre o sonho americano, chega a repressão, a ditadura no Brasil e fora dele. Fala-se do músico que vende os direitos da sua música. Mostra o editor que faz a sua versão sem estar nem aí pro que a letra original queria dizer. Fala da inveja entre amigos, dos que têm tudo e constroem pouco por permanecerem divididos. É assim o Joaquim de Rodrigo Santoro: dividido entre um amor de verdade realizado e concreto e a paixão pelo inusitado e os dois sentimentos são tão genuínos que a pergunta parece ser: será que ele vai conseguir fazer uma escolha? Luíza também terá uma punição por aceitar a metade do que lhe cabe e a gente fica contente por ver como Alessandra Negrini pode simplesmente “desaparecer” quando solicitado pela direção.Por último é preciso falar sobre o único músico “feliz” nesta história, o ínico músico com sorriso de músico e capaz de olhar para Joaquim com a leveza que música nos dá: Geraldo, interpretado por Jair Oiveira, que acha linda a filha do amigo tão invejado por um e desdenahado por outro e que confessa-se louco para ter um filho, porem mais tarde, daí uns 2 anos… E finalmente podemos dizer que os desafinados fala sobre música.

Rozzi Brasil.

OS DESAFINADOS. 2006. Brasil. Direção: Walter Lima Jr. Gênero: Comédia, Musical, Romance. Duração: 139 minutos.

shelterZach e Shawn (Trevor Wright e Brad Rowe) são amigos de infância e surfistas. Zach é artista, mas precisa cuidar do pequeno sobrinho e precisa adiar seus sonhos. Shaun é escritor rico e gay assumido. A união dos dois provocará conflitos com a família e a namorada de Zach que terá de conciliar responsabilidade, amor e projetos futuros.

Shelter” de Jonah Markowitz é um filme terno, delicado e tenso, mas com a dose de preconceito exata para os nossos tempos, o que garante um desfecho feliz e previsível para o deleite da platéia.

Não poderia ser de outra forma, porque é um belíssimo filme romântico de verão para ficar na memória e assistir sempre e em qualquer momento emocional.

Carlos Henry

Marley e Eu (Marley & Me)

cartaz_marley-e-euUm homem casado, uma esposa zelosa, e a casa vazia. E um cão. Adoro cães, posso assistir ao filme pela ótica canina ou pela humana. Uma será doce e outra meio amarga. Mas acredito que em um parágrafo cabem ambas. Cão-binação.

Ele é um jornalista meia-boca, cheio de sonhos que anda num carrinho europeu quebrado e está casado.  E ela não consegue, ou não quer engravidar. Compra um cachorrinho, lindo, fofo, batizado de Marley. Um labrador cor de caramelo, totalmente indisciplinado. Cão-fusão.

O animal domina a casa de maneira completa, é um grande destruidor e os “pais” fazem-lhe as vontades todas. Enquanto isso o amigão – solteiríssimo- é repórter-investigativo e vive viajando. Cenas e cenas do animal arrebentando com todos os cômodos da residência, eu morri de rir. Cão-tinuação.

Até que ele numa enrascada total, tenta mudar de vida. Abandona os sonhos e resolve mudar para um condomínio chatésimo, mas seguro. E ela depois de um aborto, engravida. Novos takes do bicho se alimentando de mangas, almofadas, e até um presente de ouro. Arrebenta tudo, quebra até a paciência de ambos. Cão-tusão.

Ele recebe uma proposta irrecusável, muda-se para uma cidade fria e o ambiente de trabalho idem. A moça que sempre foi linda, entrega-se apenas ao trabalho. E Marley prossegue na sua saga de dono-da-casa sem limites ou prisões. O carro do repórter só vai melhorando. Cão-ciliação.

As crianças nascem e vão crescendo, umas briguinhas aqui e ali. O ator é muito simpático, gente boa, mas sem ação. Gosto quando ele escreve sobre o seu melhor amigo, o cão. Em vez de rivalizar por espaço com os novos rebentos, o Marley torna-se o melhor amigo deles. Não há cão-petição.

E a vida linear deles passa, com trabalho garantido, crianças lindas e um velho animal. Agora se arrastando, passando mal pela casa. O que toca as pessoas é a idealização de uma família padrão. Todos querem amar e serem amados. E somente um cão consegue fazer isso de maneira incondicional. Mas cães duram pouco, no máximo –os grandes- uns quinze anos. E aí? Final com muita cão-paixão.

O que há de bom: divertidas cenas das estripulias do labrador
O que há de ruim: a vidinha normal do casal não dá espaço para sonho mais altos
O que prestar atenção: eu vi uns quatro cães diferentes fazendo o Marley, a produção me respondeu que foram 22 e metade deles, filhotes
A cena do filme: o final lacrimejante, como eu já disse, amo cães

Cotação: filme bom (@@@)

COBRA

racing-stripesUm filhotinho de zebra perde-se do circo numa noite de tempestade e é salvo por um fazendeiro (Bruce Greenwood), famoso treinador de cavalos precocemente aposentado.
Chamado de Stripes e criado pela filha do fazendeiro, o filhote logo faz amizade com os outros animais da fazenda e sente-se em casa. Mas há um único problema: Stripes pensa que é um cavalo, e decide treinar para ser um campeão de corridas. Diante da sua determinação, todos os animais da fazenda vão ajudá-lo
.”

De início, bateu um: ‘Animais que falam e numa fazenda?’ Por me fazer lembrar de ‘Babe, O Porquinho’… Mas até pela gostosa companhia de um sobrinho, resolvi curtir o filme. Se no outro, havia um pato roubando a cena, nesse há um pelicano; e chamado Ganso. Também há outros coadjuvantes engraçadíssimos, em especial, uma dupla de insetos.

Enfim, um divertido sessão pipoca!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Deu Zebra! (Racing Stripes). 2005. EUA. Direção: Frederik Du Chau. Gênero: Aventura, Drama, Comédia, Esporte. Duração: 102 minutos.

A Viagem do Balão Vermelho é uma fábula sublime para crianças de 8 a 80 anos transformada em belíssimas imagens pelo diretor taiwanês HHH – Hou Hsiao-Hsien. Ele se baseou no filme que sempre admirou e que assistiu na infância, O BALÃO VERMELHO de Albert Lamorisse, sendo uma forma singela de homenageá-lo.

O filme de Albert Lamorisse ganhou o Oscar de melhor Roteiro Original na década de 50. É um conto sobre um menino solitário que encontra um balão vermelho na rua. O balão estava amarrado a um poste de iluminação e ao soltá-lo de sua “prisão” ele passa a acompanhá-lo pelas ruas de Paris, no metrô, nas avenidas, na escola e até a sua casa, como se fosse um cão de estimação que ganhou um dono. O filme de Lamorisse tem mais de 40 anos e continua fazendo a alegria e mantendo o encanto inerente ao imaginário infantil.

A Viagem do Balão Vermelho de 2007 é a recriação dessa história. Simon é um garoto de sete anos e tem como amigo um misterioso balão vermelho que segue-o por Paris. A mãe, Suzanne (Juliette Binoche), é uma atriz de marionetes que utiliza os seus talentos vocais para trazer à vida os espetáculos que ela escreve. Suzanne contrata uma jovem para tomar conta de seu filho. Essa jovem é uma estudante de cinema. Interessante essa prosopopéia, a idéia de um balão encontrar um menino e adotá-lo como amigo, e não o contrário.

O filme é um poema de amor; singelo, encantador, de uma pureza e simplicidade que emociona do início ao fim. Assistir a esse filme é viajar pela nossa memória trazendo à tona lembranças da nossa infância. O próprio adulto costuma dizer que fala com seus botões, onde, conclui-se que, não é nenhuma loucura conversar com plantas, com um ventilador, ou adotar um balão como amigo, ao invés de adotar um animal para companhia.

São tantos momentos tocantes e belos. Uma das cenas mais lindas do filme é quando o balão sobrevoa Paris como se estivesse procurando Simon, seu dono. Há outra cena mostrando a família reunida na sala de jantar e o balão observando pelo lado de fora da janela. Formidável e comovente. Realmente mexe com o nosso emocional.

E então, quer brincar de esconde-esconde numa nebulosa e depois pegar carona nesse lindo BALÃO VERMELHO? Viaje nessa história você também. Garanto que você vai se apaixonar e irá guardar de recordação para rever e lembrar sempre que sentir saudade.

A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO (Le Voyage du Ballon Rouge) – França, 2007
Direção: Hou Hsiao-Hsien.
Elenco: Juliette Binoche, Simon Iteanu, Fang Song, Hippolyte Girardot, Louise Margolin e Anna Si

Postado por Karenina Rostov

Ferris-Buellers-Broderick_l

Curtindo a Vida Adoidado – Ferris Bueller’s Day Off

Direção: John Hughes

Gênero: Comédia

EUA – 1986

Fazer a Vida valer a pena!

São tantas as exigências em cima do indivíduo que o tempo entre estudar e trabalhar é basicamente a maior parte da vida. Onde ficam as diversões, em que tempo? Ferris, o maravilhoso Bueller, decide perder um dia de aula e ganhar muita diversão e experiência de vida. Quem já não quis e já matou aula para viver aventuras diversas que atire a primeira pedra!

ferris-buellerNão vive sozinho, então, com ele, participam seu melhor amigo e sua namorada. Não há personagem favorito mesmo com o populismo inegável de Ferris, todos são maravilhosos! Na entrada de férias escolares, nada melhor do que rememorar esse filme, e pra não fugir à regra, é possível que a Rede Globo também tenha esse mesmo pensamento para Sessão da Tarde. Um dos raros pensamentos legais da Rede Globo… diga-se de passagem.

O filme é legal por completo! Qual melhor cena?

A cena em que o Cameron finge ser o pai da Sloane e descasca o Rooney? a cena em que Bueller liga na escola e diz que precisa transplantar o rim, daí começa a fazer uns barulhos de tuberculoso no teclado? ferrisbuellera cena em que Ferris toma banho criticando todos os “ismos” possíveis porque “os ismos não são bons”? Ver uma Ferrari em queda livre daquela altura realmente não tem preço. A cara de perplexo do Cameron é melhor ainda… O professor fazendo a chamada: “Bueller Bueller Bueller….”  e uma aluna babando em cima da mesa?

Como dizer qual a melhor? A da parada ou a do Rooney entrando no ônibus escolar totalmente muquiado pelo cachorro do Ferris? rs Ah! Eu também gostaria de andar numa ferrari ao som da música de Star Wars… rs

Esse filme pode reprisar 700 mil vezes, estando em casa, assisto novamente com certeza! Adoro!

Aqui não estou incentivando ninguém a matar aula, embora pense que qualquer adolescente precise dessa experiência com os amigos, paquerinhas, mas incentivo a verem esse filme por ter mensagens legais nele:

1. a união dos irmãos no final: Ferris e sua irmã;
2. a amizade: Ferris e Cameron (impagável!!!)
3. a relação com a matéria versus valores que não tem preço…

e o principal,

a mensagem de que todos nós devemos viver nossas vidas à exaustão, até o último segundo, fazendo dela algo que realmente valha a pena de ser relembrado, rememorado, revisto 700 vezes possíveis com um largo sorriso na boca tentando escolher, em vão, a melhor cena.

Por: Vampira Olímpia.

Kung Fu Panda

kung-fu-pandaEverybody was kung-fu fighting. Uma das minhas músicas prediletas nos tempos de discoteca. Nós dançávamos enfileirados, iguaizinhos. Boas lembranças. Agora surge no cinema um urso panda, o Po. Filho adotivo de um ganso, gordo, cozinheiro de macarrão, desajeitado e fã, muito fã de kung fu. E consequentemente dos cinco furiosos, os guerreiros que habitam o templo acima de sua pacífica vila.

Those cats were fast as lightning. Eles brilham. Liderados pelo mestre Shifu, um panda vermelho com habilidade inimaginável, comanda a Tigresa, o Louva-Deus, a Serpente, o Macaco e a Garça. Cada um deles é respectivamente um estilo de luta. Ah, kung fu é luta em mandarim e não um estilo como aqui no ocidente. Aliás, o filme é um reflexo de como o ocidente vê o oriente. Tudo bem. Como por exemplo, os animais em destaque tais como o porco, o pato e coelho, serem pratos chineses…

In fact it was a little bit frightening. Mas o tormento maior é a chegada de Tai Lung, pessimamente traduzido, já que Da-long é o correto; grande dragão. O leopardo das neves foge em cena espetacular de uma cadeia de pedras, totalmente vertical, guardada por ferozes rinocerontes. Ele é um lutador assombroso e que nunca desiste. Seria o natural herdeiro do mestre Shifu e o Laoshi (velho mestre) Oogway, uma tartaruga. Essa impressionou verdadeiramente meu filho, já que nas suas costas tem o desenho estilizado de tai-ji (tai-shi) e ela realmente atingiu o equilíbrio dos grandes mestres. Apesar das trêmulas mãos parkinsonianas.

But they fought with expert timing. Esse é o problema. O Panda não consegue desenvolver-se como deveria ser um Guerreiro Dragão. Ele somente sonha. E o mestre Wu-gui (a tartaruga) explica de maneira zelosa ao Shifu como proceder. O segredo do filme está aí. As complexas relações de pai-filho. E neste viés taoísta é que me encanta.

They were funky China men from funky Chinatown.  Meu filho começa a perceber as nuances do roteiro que vão além dos golpes de luta – que são excelentes, claro – e também o humor infantil do Po que ri até quando leva porrada. Um panda só pode ser filho adotivo de um ganso, e daí? O amor é o mesmo… Shifu só consegue ver o pequeno filhotinho de leopardo e não um ambicioso animal. A tigresa, que só sabe atacar, tem suas defesas rompidas ao ver que não é tão amada como queria. Até o louva-deus, que carrega nas costas o ideograma Shou ( de longevidade ) é meio chateado com seu tamanho e falta de atenção que recebe. E a tartaruga tem a melhor fala com Shifu sobre isso…

They were chopping them up and they were chopping them down. Cortando de cima para baixo, sendo rápidos “chop-chop”, o mestre e o discípulo conduzem uma seqüência estonteantemente plástica em torno de um… pastel!  Daí em diante o destino está selado, até a revelação do segredo. O que estaria escrito naquele precioso pergaminho?

It’s an ancient Chinese art and everybody knew their part. As velhas tradições chinesas vencem. A luta entre Po e Da-long é ótima e o final, mostrando de maneira didática os pontos (chi) de energia corporais é algo muito bem desenhado e animado.

From a feint into a slip, and kicking from the hip. O final tem luta e tem lição. Fique até passarem todos os créditos, há surpresinha. Fica a impressão de lindos desenhos e de que mesmo um gordo pode ser um lutador desde que acredite em si. É o nada, que é tudo.

O que há de bom: diversão, personagem encantador, o Po (mas meu predileto é o mestre Shifu)
O que há de ruim: aqueles que assistirem apenas um versão, filmes dublados devem ser vistos também na versão legendada, a voz do Jack Black é perfeita para Po e a da Angelina Jolie para a tigresa
O que prestar atenção: os cinco pontos vitais do coração (lembram-se de Kil Bill?) são mostrados novamente em uma cena aérea e a contenção do leopardo mostra exatamente as áreas de energia (Shi) bloqueadas
A cena do filme: a poética jornada esvoaçante de uma pétala para abrir um segredo que na realidade está dentro de nós

Cotação: filme ótimo(@@@@)

Por: COBRA.

Kung Fu Panda. 2008. EUA. Direção: Mark Osborne / John Stevenson. Gênero: Animação, Ação, Comédia. Duração: 92 minutos.

a-era-do-gelo3_posterTão delicioso de ver como os outros da série, esta terceira parte da saga dos bichos da época glacial ganha ainda um adicional irresistível: Foi filmado em três dimensões e merece ser visto numa sala especial equipada com este tipo de exibição.

Uma dica para quem vai ver na sala Cinemark de Botafogo: Escolha um lugar central na fila E. Ali há espaço para circulação das crianças indóceis, o que garante o sossego sem tirar o prazer de ouvir os risos infantis. Além disso, é importante ficar perto da tela para sentir melhor o efeito 3D.

Imagine ver aqueles animais super engraçados no meio de monstros pré-históricos saltando da tela quando se aventuram a resgatar o azarado Sid num mundo subterrâneo.

A direção do brasileiro Carlos Saldanha garante ação fluente e muito humor. As crianças se divertem à larga e até os mais idosos vão se sentir presenteados com tanto bom gosto e uma trilha surpreendentemente nostálgica.

Carlos Henry.

Trailer dublado:

A Era do Gelo 3 (Ice Age 3: Dawn of the Dinosaurs). Direção: Carlos Saldanha. Vozes no Brasil: Diego Vilela (Manny), Tadeu Mello (Sid), Márcio Garcia (Diego), Claudia Jimenez (Ellie). Cast. Gênero: Aventura, Animação. Duração: 94 minutos.

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